Frigorífico Diplomata volta abater frangos, mas em turno único

O frigorífico da Diplomata, em Capanema, voltou, parcialmente, às atividades na semana passada. A empresa havia parado temporariamente no dia 21 de dezembro após dar férias coletivas aos seus cerca de 1.100 funcionários. Agora a empresa funciona com apenas um turno, são cerca de 100 colaboradores em atividade. Serão abatidos 500 mil frangos que ainda estavam alojados em aviários, o que deve durar mais uns quatro dias."Quem queria trabalhar, tinha serviço. Mas quem queria a demissão, teve que passar no RH [recursos humanos] para rescindir o contrato. Todos estão esperando conseguir o seguro desemprego, mas pode não ser tão simples assim", comenta Claudimir Orsolin, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Alimentação em Capanema.O produtor Cleiton Roso, que faz parte da diretoria da Associação dos Avicultores de Capanema, ainda acredita que a empresa vá declarar falência. "Eu acho que só vão abater esses frangos que ainda restam e depois vão declarar falência. A situação é quase irreversível, é muita dívida que ficou pra trás. Nós já estamos até nos preparando para que isso aconteça", comenta.No final de 2012, os funcionários fizeram um manifesto na frente da Diplomata, exigindo o pagamento dos salários de novembro e dezembro, mais o décimo terceiro e o fundo de garantia. Somente com folha salarial, a dívida passa dos R$ 3 milhões. Mas a dívida total da empresa já passa dos R$ 600 milhões, mais que o dobro da avaliação do seu patrimônio. Desde o início do segundo semestre, a empresa tenta se recuperar financeiramente, mas sem muito sucesso. Em outubro foi apresentado o plano de recuperação judicial, que ainda não foi aprovado.O produtor Ademar Catânio, que tem 18 mil aves alojadas, já não sabe mais o que fazer. Ele está racionando a ração e a empresa ainda não foi buscar a sua produção. "Essas aves estão aqui há 65 dias, são três semanas de atraso. Elas estão morrendo e a gente não pode fazer nada. Está uma situação muito complicada", disse o avicultor, em entrevista à RPC TV. Segundo ele, 12 mil aves já morreram nesses últimos dois meses por falta de comida.Hoje à tarde, às 14 horas, os avicultores de Capanema e Planalto terão uma reunião com a direção da Diplomata para ver como vai ficar a situação. "O problema é que essas reuniões são adiadas com frequência e quando elas acontecem, eles só prometem e não cumprem. A gente está ficando cansado", acrescenta Cleiton Roso.

Fonte: Sudoeste Online

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